domingo, 9 de maio de 2010

Reconstituição

Tive de repente
Saudade da bebida que estava bebendo...
Tive saudade e tentei me lembrar que gosto faltava,
Qual era a bebida...
Fui procurando entre copos e móveis
e dei com sua boca.

A saudade era dela
A bebida era o beijo.

Elisa Lucinda

sábado, 8 de maio de 2010

Do tato:

Pra começar, o primeiro encontro ideal é o das mãos. Aquele em que o simples toque leve se faz reconhecer quimicamente e pensamentos secretos, desejos contidos são revelados sem a formulação de qualquer palavra. No primeiro encontro de mãos nada mais parece ter importância, só o calor passado de uma pra outra, a textura, a temperatura. Cada dedo parece estar repleto de carga elétrica capaz de arrepiar até os céticos. As mãos demonstram o que as palavras não conseguem e contrário aos olhos não exprimem um amor platônico, mas um sentimento possível. Talvez eu esteja demasiada impressionada por esse momento que estou passando, ou dando importância demais a coisas triviais do dia-a-dia... A verdade é que um toque, da pessoa certa, a gente não esquece.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

esperavam por aquilo há algum tempo sem saber.


mas queriam.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sobre os livros;

Era uma vez um leitor, curioso sobre a história dentro de um livro. Era uma vez um livro, curioso sobre os olhos daquele leitor. Era uma vez a história de um. Era uma vez a história de outro. Mas porque alguém tinha de dar o braço a torcer, o livro rendeu-se e começou o primeiro capítulo. Os livros sempre se rendem: não é a toa que eles capitulam.

Sobre o desprezo;

Mas tem dias em que ele me abraça um abraço empalhado.
Um espantalho que abriu os braços apenas para espantar os corvos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Coloca a música no repeat, arruma a mochila, põe os fones no ouvido, fecha o portão, esquece o mundo. Foi ao encontro dele, por isso havia um sorriso bonito estampado naquele rosto.

Acabaram-se os enjôos, os abusos, os não-acasos. Aquilo tudo era culpa do tempo, que insistia em não querer estar por perto. De alguma forma, tudo se esvaiu.
Agora é tempo de esperar e de ter calma, ou não.

Mas ele…
é música.

domingo, 2 de maio de 2010

. Menina! *~

Não precisa ficar com ódio até crescer, quando ele abrir a porta e com mãos adultas esmagar seus sonhos de criança, haverá no gesto dele o desespero de um adulto tentando abrir com força uma caixinha de música, que nunca mais tocou ao seu coração rude. Não vê como bravo ele está triste, procurando a infância dentro de você?! Não vê como seus braços, violentos, apertam tanto, tanto… Querendo abraçar? Não vê como seus olhos duros estão querendo chorar? Vem, ver a pequena bailarina rodar.

Eu amo meu passado

eu amo meu presente

eu amo meu futuro

e não sinto tristeza pelo que não tenho mais.